Marcos Aurélio comenta sobre a importância dos sketchbooks: “Desde criança, como muitas pessoas que gostam de desenhar, adorava rabiscar em qualquer superfície: de papel de pão às paredes da casa. Puxa, como dei dores de cabeca para meus pais.
Hoje tenho vários cadernos de rascunho e de vez em quando também aproveito para esvaziar o sulfite da bandeja da impressora para poder rascunhar em vez de imprimir.
Como sempre fui um ilustrador muito mais fixado no estúdio do que em ficar participando das rodas de artistas provavelmente demorei para descobrir que essa mania de rascunhar era bastante comum. Já sabia a tempos sobre os cadernos de DaVinci com seus desenhos, rascunhos, anotações e que me inspiraram para que iniciasse na área da infografia, mas descobrir que muitos artistas usavam cadernos de notas para registrar os primeiros estudos ou rascunhos de suas obras para uma posterior finalização era prática constante e natural me fez olhar esse hábito com mais seriedade e interesse.
O interessante porém é que só a pouco tempo- a uns 03 anos atrás – fui descobrir que os tais cadernos tinham o nome de nome sketchbook e que um dos mais conhecidos é chamado Moleskine.
Recentemente li um artigo no blog do artista plástico Montalvo que comentava sobre os cadernos Moleskine e sua importância nos trabalhos de grandes artistas que o utilizaram para registrar seus pensamentos, idéias e ensaios artísticos. Ele comenta da iniciativa do Banco Itaú Personalité que recentemente realizou um comercial tendo o caderno Moleskine como elemento de suporte aos planos e recordações do cliente. A partir daí eu tomei duas atitudes: Primeiro consultei o meu “oráculo particular” Mr Google.com e achei incrível descobrir o quanto esse caderno se fez – e ainda se faz – presente na história de grandes artistas guardando o registro de idéias criativas e a segunda atitude foi correr à vídeo locadora e alugar Indiana Jones e a Ultima Cruzada para rever e constatar que o caderno onde o pai do personagem Indiana Jones registrava informações, desenhos e mapas sobre o Santo Graal era um Moleskine… ( o próprio Indiana usa também em Caçadores da Arca Perdida anotando coordenadas)
Confesso que já o conhecia visualmente a muito tempo mas achava que – assim como os isqueiros Zippo – era um ítem de uso recorrente e tipico nos filmes de cinema pois davam um charme todo especial a quem os utilizava.
Bem, eu nunca tive um Moleskine mas vários Tilibra, blocos de anotação comprados em papelaria, papeis craft recortados no formato A4 , muitas folhas de sulfite que mais recentemente me inspiraram a comprar um pacote de 100 folhas que levei à uma copiadora para guilhotina-lo ao meio e fazer dois cadernos de arame e capa plástica. Hoje em dia, talvez guiado pela produção das minhas obras poparts, estou empolgado em desenhar/rascunhar mais e a ter vários cadernos para meus esboços.
Atualmente mesmo desenvolvendo cem por cento do meu trabalho de forma digital a base para todos os meus projetos e obras popart é sempre um desenho ou esboço inicial feito na maioria das vezes num sketchbook ou nas folhas retiradas da bandeja da impressora – muitas vezes esquecida de ser abastecida. Na verdade componho vários rascunhos – sketches – até ter uma noção exata do que quero. Em algumas situações a idéia está bem definida e não requer tantos esboços facilitando assim a finalização, mas principalmente no caso das poparts eu gosto de ter pelo menos umas 05 opções diferentes de desenhos antes da finalização – muitos esboços de poparts finalizadas estão nos meus sletchbooks.
Até conhecer os tablets de desenho da Wacom ( www.wacom.com ) eu nunca tive a vontade de fazer rascunhos diretamente no computador. O simples fato de colorir usando um mouse já era um desafio. Hoje penso em como eram engraçadas as tentativas de “desenhar usando um tijolo”. Mas no início tambem senti uma certa estranheza ao usar um tablet ( mesa digitalizadora ): a nova tarefa era a de desenhar com a mão sobre ele mas com os olhos acompanhando o desenho que surgia no monitor. É aquela história, desenhar não é igual a dirigir um veículo onde as mãos giram o volante mas seus olhos olham para a rua ou estrada. Nada como olhar a ponta do lápis enquanto o desenho surge.
Ainda com os caderninhos e folhas sendo rascunhados a produção das artes agora era mais fácil uma vez que o esboço poderia ser mais elaborado na finalização com o uso da caneta do tablet.
Com o lançamento dos Tablets Cintiq ( mesa digitalizadora incorporada a um monitor LCD) a libertação para o desenho livre estava quase alcançada: desenhar, pintar, rascunhar diretamente na tela foi uma conquista.
 Abaixo temos uma apresentação dos tablets Wacom feita pelo artista Jeremy Sutton (vídeo em inglês sem legendas, sorry!)

 

 

Ganha-se muito tempo na concepção das artes pois uma vez terminado o esboço inicia-se sua finalização quase que instantaneamente. Essa vantagem produtiva nos dá como conseqüência uma vazão maior na elaboração de idéias que agora podem ser rascunhadas e armazenadas em arquivos , coloridas logo de imediato ou se quiser até serem animadas.
Mesmo assim sempre mantive o caderninho a tiracolo, pois ainda não via a informática quebrando o laço com o sketchbook, até que um dia deparei-me com uma incrível novidade: os Tablets PCs
Nossa, poder ir para qualquer lugar com um Sketchbook digital seria o máximo . Mas qual modelo/hardware escolher? Qual software utilizar? Que tamanho de tela e processador é o melhor?…Ufa são tantas considerações e decisões ligadas ao custo benefício que ainda não decidi qual modelo e software usar.

 

Achei algumas idéias e sugestões que podem ajudar a resolver o problema:

No blog do artista Charley Parker ele comenta do interesse em um sketchbook digital e da utilização de um game portatil Nintendo DS para pintar utilizando o software COLORS. É muito inspirador mas usar uma tela de 3 polegadas pode acabar me deixando claustrofóbico. Tudo bem que sempre gostei de esboçar minhas idéias ao estilo Syd Mead: desenhos com pequenas dimensões mas tendo o controle de todo o equilíbrio visual e sempre contando com espaço de sobra no papel. Para aqueles que não conhecem o trabalho desse gênio do design futurista convido a assistirem essa pequena entrevista feita no estudio dele ( sorry, no Portuguese subtitles)
Acho porem que uma situaçaõ confortável para um sketchbook digital é o de utilizar um Tablet PC com tela de 12 polegadas e nesse caso existem os modelos da HP , Toshiba, Dell, Amazon PC . A configuração é sempre muito pessoal mas no meu caso o que quero no mínimo são 4GB de RAM.
Quanto aos programas existem boas opções destinadas aos Tablet PCs e de uso em plataformas desktop:
O SketchBook Pro – Software de desenho da Autodesk tem uma versao trial no site da empresa. Testei a versão trial e gostei da praticidade. Não tem a gama de recursos de um Painter mas é bem prático para esboços.

ArtRage – é um programa muito interessante…- gostei dos poucos testes que fiz mas só não me empolguei mais porque achei a versão trial muito limitada em comparação ao seu rival da Autodesk
 

Photoshop: sempre o usei mais para finalização e muito raramente o utilizo para desenhar ou esboçar. Muitos artistas porém o tem como ferramenta principal para ilustração.- Corel Painter – me desculpem mas eu sou suspeito em comentar esse programa pois para mim não tem rival. Foi a melhor escolha para mim quando migrei da ilustração tradicional para a digital. Fazer esboços nele é muito natural e é muito comum acontecer de um esboço tornar-se rapidamente uma ilustração em alta resolução. É uma ferramenta que seduz facilmente o artista.
 
 

 
 
 

Considerando esses quatro programas e após ter utilizados os dois primeiros eu penso ser mais interessante usar um software de estrutura mais simples para fazer num Tablet PC o que normalmente é feito num sketchbook tradicional: esboços criativos e sem ligação comercial e sim um exercício de liberdade artística sem barreiras de prazo de entrega ou cobranças de fidelização de cores ou formas. ”